Fechamento de cerâmicas e olarias ameaça estabilidade social
A tarde de sexta-feira (29) foi de muita movimentação no Centro de Canelinha, no Vale do Rio Tijucas. Isso, por conta de uma audiência pública realizada com o objetivo de debater a situação em que vivem diversas cerâmicas e olarias daquela cidade, que vêm enfrentando a ameaça de ter de fechar as portas por conta de problemas ligados ao setor ambiental. A maior parte delas está situada em áreas consideradas de preservação ambiental permanente e isso gerou uma ação movida pelo ministério Público.
Diante da ameaça, diversas entidades e autoridades públicas, entre outros, debateram o problema que pode deixar desempregados mais de 500 trabalhadores.Em discurso, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brusque e região (Sintricomb), Izaias Otaviano, disse que o sindicato não poderia ficar de fora da discussão, pois o problema afeta a vida e o sustento de praticamente duas mil pessoas, entre trabalhadores e familiares. "Diretamente, pode até não soar muito, 400 ou 500 trabalhadores desempregados. Mas, se colocarmos nesse número as famílias e dependentes diretos, teremos mais de duas mil pessoas que sofrerão as conseqüências. Isso significa quase 20% da população da cidade. Diante desse cenário nefasto e caótico que se anuncia, é preciso que se discutam outras saídas", destacou ele.
Entre os principais argumentos apresentados ao ministério Público e à Fatma estava a criação de um problema social sem precedentes. Foi o que disse o prefeito de Canelinha, Antonio da Silva. "A grande maioria desses trabalhadores mora em casas das empresas. Se elas fecharem, o patrão não vai querer ficar mantendo uma estrutura dessas e pedirá o imóvel. Serão famílias desempregadas e sem ter onde morar. Isso vai criar um grave problema social para a cidade", destacou.
O assessor jurídico da Fatma, Alexandre Waltrick Rates, disse que o órgão estava apenas cumprindo o que determina a lei, principalmente com a ascensão do novo Código Florestal, que estipula a distância mínima que empreendimentos devem ter de rios, riachos, córregos e fontes de água. "A Fatma é solidária com a situação de vocês. Estamos dispostos a algum outro tipo de solução, desde que a proposta parta do ministério Público, que é quem propôs toda essa ação".
A resposta era em relação a um dos pleitos apresentados pelos presentes. Um deles era de as empresas se comprometerem a devolver a mata ciliar destruída, mas em outros locais. Uma forma de compensar o dano causado ao meio ambiente com os anos de atuação. "Porque retirar uma cerâmica do local onde ela está hoje e pôr em outro fica inviável. Um forno daqueles não é algo que se possa erguer e colocar em cima de um caminhão e pronto", argumentou o presidente do Sincervale, Aloir Alexio Dias,. O Sincervale representa a classe patronal do setor naquela região.
Diante dos apelos e argumentos, o promotor público Fred Anderson Vicente, que deu sequencia a ação de cumprimento do TAC, sugeriu um estudo para que possa prorrogar a vigência do documento, expirado em 2012. "Para isso preciso, o mais urgente possível, que os senhores me apresentem formalmente um pedido. Façam um estudo, uma proposta, e me entreguem. Também sou pai de família e jamais vou querer prejudicar um pai de família ou uma cidade inteira", frisou em discurso. Com isso, ficou definido um prazo de 30 dias para que empresas,entidades representativas das classes e poder público de Canelinha apresentem o documento à promotoria pública da Comarca de Tijucas.


